Não é o cansaço que me domina.
Nem o mau humor de entes próximos.
É a falta de respeito, ingratidão.
Não é a fome que me traz esse cansaço.
Nem a falta de um amor.
É a falta de respeito, ingratidão.
Esses traços que vês em minha face,
(Talvez um dia as tenha visto, claro!),
Esse sorriso que não mais cobre o meu rosto.
Essa dureza que revela-me em cada sinal na pele,
Nos olhos que não mentem,
Foram esculpidos dia a dia.
Em cada gesto que me magoaram profundamente.
Em cada palavra dita em rompantes
De tensão
E até os olhares raivosos que recebo.
Se não notastes
A minha falta de carinho para contigo.
A minha acelerada impaciência,
O meu desconforto ante minhas dores
(De alma, mais do que de físico)
É um traço que não te sirvo
Como ser.
Como humano que sou.
Aprendestes a me ver como uma situação
Que precisa conviver.
Sugaste-me até esse dom
De ser alguém,
Que teria que dar um amor,
Que não recebia, também.
Estou assim
Dura, pedra de corpo inteiro.
Uma lápide
Viva.
E ainda continuo a te receber,
Enquanto jogas tuas lágrimas
E tuas calúnias sobre mim.
Não me destes nem sossego
Enquanto eu vivia por amor, a ti.
E bem sei que não o farás.
Essa falta de respeito e essa ingratidão
São os selos
Em que me trancas...
Prisioneiro de ti, somente!
Milena Medeiros
19/julho/2026
Online
18:02h
(Escutando histórias de amigos)
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