ALMA DE POETA
Talvez você nunca me entenda. Mas sempre tentarei explicar-me pelos meus versos e inversos - Milena Medeiros 11/maio/2012
terça-feira
CORAÇÃO APAIXONADO - Milena Medeiros
Era tão tarde
E, mesmo assim,
Parecia que foi ontem.
Um coração apaixonado,
Cheio de amores próprios
E impróprios.
Cabiam nele
Desvelos e desejos
Próprios da idade.
Frutos completos,
Amadurecidos
no tempo certo.
Amanhecia,
Anoitecia,
Chuva e sol
E continuava
A esperar a colheita.
Houveram tempos difíceis,
Tempestades, até.
Esse coração
Se mantinha coberto,
Frondoso e belo.
Não viu o tempo
Passar.
Dizem que continua
Nos verdes campos,
Solitário em sua velhice.
Cada marca reflete
As podas que teve.
Os nós da vida
Contam a sua história.
Milena Medeiros
11/04/2026 (online no site Recanto das Letras)
Destaco um comentário recebido via Recanto das Letras:
LIGEIRO AMOR - Antônio C Almeida
["O que me cabe?
Colher o que brotou no que plantei neste enlace.
O que me resta?
Separar o que foi bom do que não presta,
Para aproveitar o que resta em lembrança
Na fantasia do que sobrou de esperança.
Seja assim como for
Imagem deste ligeiro amor.
Se teve algo de dor
Que fique debaixo do tapete do desamor
Fora dos aconchegos da paixão que passou."]
Antonio C Almeida
Nota:
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, criar obras derivadas, fazer uso comercial da obra, desde que seja dado crédito ao autor original.
![]() |
| Imagem via Tumblr |
segunda-feira
DRONE DE NAMORO - Milena Medeiros
Ela estava apressada. Andava ligeira entre ruas.
Tinha aula na faculdade. O ônibus logo passaria no ponto.
Final de tarde sossegada, morna.
Ao cruzar para o lado do ponto de ônibus viu dois drones sobrevoando à sua frente.
Não era tempo de ficar observando, tinha pressa.
Um deles sobrevoou bem rente. Quase se aproximando. Ela estava parada.
O drone chegou bem próximo dela e soou uma voz, perguntando: "Oi, podemos conversar?"
A essa pergunta, ela respondeu que não. Teria aula.
O drone revoou bem próximo à face, fez um movimento como se a beijasse de leve. E, novamente uma voz saiu dele: "Podemos tomar um café? Digo, completo!" (Em alusão de um encontro pessoal, drone+quem o manejava).
Ela sorriu ternamente, e disse não, de novo. Completou, que teria que estudar. A aula era uma matéria que ela precisava assistir. Teve notas baixas. Não poderia faltar dessa vez.
Olhou para longe, se via o ônibus chegar. Estava feliz, tranquila.
Aquele drone não a amedrontava. Era quase familiar.
Um flerte diferente.
A decisão estava tomada. Embora bem quisesse conversar mais. Conhecer o rapaz por trás do drone.
Milena Medeiros
11/05/2026
Incluído no site Recanto das Letras
![]() |
| Imagem via Tumblr |



