Haviam cabines com telefones, para quem não tinha telefone em casa, em postos especiais para atendimento público.
Para usar era necessário ir até a atendente nesse posto, informar o número desejado, cidade, e saber do preço da tarifa. Aguardava-se dentro da cabine, onde a telefonista faria a chamada. E repassava para nós.
Após completar, iniciava a contagem de tempo, para depois pagarmos, com dinheiro em espécie, para a maioria das pessoas que utilizavam esse processo.
Não sabíamos se havia privacidade, sigilo. Sensação de algo meio duvidoso, se alguém estaria nos ouvindo do outro lado. Sem ser com quem conversávamos.
Víamos as telefonistas mexendo com fios coloridos que conectavam à mesa cheia de controles. Não sabíamos como aquilo funcionava. Se elas erravam ou não diante de tantos conectores.
Devia ser estafante esse trabalho. Nem procurávamos saber quantas horas elas trabalhavam ali.
Naqueles tempos não havia essas reflexões trabalhistas. Era só um meio de trabalho como outro qualquer na pequena cidade.
Muitos anos depois vieram os telefones públicos externos. E nem nos lembramos como e quando acabou esse posto de atendimento.
Milena Medeiros
17/05/2026
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