terça-feira

CORAÇÃO APAIXONADO - Milena Medeiros

Era tão tarde

E, mesmo assim,

Parecia que foi ontem. 


Um coração apaixonado,

Cheio de amores próprios

E impróprios. 


Cabiam nele

Desvelos e desejos 

Próprios da idade.

Frutos completos,

Amadurecidos 

no tempo certo. 


Amanhecia,

Anoitecia, 

Chuva e sol

E continuava

A esperar a colheita. 


Houveram tempos difíceis, 

Tempestades, até. 

Esse coração

Se mantinha coberto,

Frondoso e belo.

Não viu o tempo

Passar.


Dizem que continua 

Nos verdes campos,

Solitário em sua velhice. 

Cada marca reflete 

As podas que teve. 

Os nós da vida

Contam a sua história.


Milena Medeiros 

11/04/2026 (online no site Recanto das Letras)


Destaco um comentário recebido via Recanto das Letras: 

WSR
["Milena… esse aqui me fez parar um pouco. Esse coração que você constrói… ele vai vivendo sem perceber, né? Vai esperando, atravessando tudo — sol, chuva, tempestade — como quem acredita que a colheita vem em algum momento… e isso dá uma certa beleza, mas também um silêncio ali no fundo. Gostei muito dessa ideia dele não ver o tempo passar. Parece alguém que se entregou tanto ao que sentia que esqueceu de si… e quando percebe, já virou outra fase. E essas “podas”… isso aqui é muito real. Porque não são só marcas — são coisas que moldaram mesmo. Tiraram, ajustaram, ensinaram… às vezes na marra. Agora, confesso que esse final mexe um pouco. Esse coração ali, ainda firme, mas ainda sozinho… não parece abandono, parece mais consequência de quem viveu tudo até o limite. Fica uma sensação meio difícil de explicar… como se fosse bonito, mas com um peso quieto junto. — W. S. R."]
Imagem via Tumblr 


LIGEIRO AMOR - Antônio C Almeida

["O que me cabe?

Colher o que brotou no que plantei neste enlace.

O que me resta?

Separar o que foi bom do que não presta,

Para aproveitar o que resta em lembrança

Na fantasia do que sobrou de esperança.

Seja assim como for

Imagem deste ligeiro amor.

Se teve algo de dor

Que fique debaixo do tapete do desamor

Fora dos aconchegos da paixão que passou."]


Antonio C Almeida

Via Recanto das Letras


Nota:

Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, criar obras derivadas, fazer uso comercial da obra, desde que seja dado crédito ao autor original.

Imagem via Tumblr 


segunda-feira

DRONE DE NAMORO - Milena Medeiros

Ela estava apressada. Andava ligeira entre ruas. 

Tinha aula na faculdade. O ônibus logo passaria no ponto. 

Final de tarde sossegada, morna.

Ao cruzar para o lado do ponto de ônibus viu dois drones sobrevoando à sua frente. 

Não era tempo de ficar observando, tinha pressa. 

Um deles sobrevoou bem rente. Quase se aproximando. Ela estava parada. 

O drone chegou bem próximo dela e soou uma voz, perguntando: "Oi, podemos conversar?" 

A essa pergunta, ela respondeu que não. Teria aula.

O drone revoou bem próximo à face, fez um movimento como se a beijasse de leve. E, novamente uma voz saiu dele: "Podemos tomar um café? Digo, completo!" (Em alusão de um encontro pessoal, drone+quem o manejava).

Ela sorriu ternamente, e disse não, de novo. Completou, que teria que estudar. A aula era uma matéria que ela precisava assistir. Teve notas baixas. Não poderia faltar dessa vez. 

Olhou para longe, se via o ônibus chegar. Estava feliz, tranquila. 

Aquele drone não a amedrontava. Era quase familiar. 

Um flerte diferente. 

A decisão estava tomada. Embora bem quisesse conversar mais. Conhecer o rapaz por trás do drone. 

Milena Medeiros

11/05/2026


Incluído no site Recanto das Letras 

Imagem via Tumblr 


EU DEVERIA

Via Tumblr