quinta-feira

EVERYTHING I OWN - Bread & David Gates


David Gates fez essa canção em homenagem ao seu pai. Mas vale como um vídeo romântico para um amor. 

["David Ashworth Gates é um cantor, compositor, músico e produtor americano aposentado, mais conhecido por ser o vocalista e co-vocalista do grupo Bread, que alcançou o topo das paradas musicais na Europa e América do Norte em diversas ocasiões na década de 1970."]
(Wikipedia)


A MENINA DAS FOLHAS - Antonio C Almeida

["Era uma vez uma menina. Que lia um conto, de uma vida de princesa, debaixo de uma árvore e sorria. Enquanto as páginas do livro eram viradas, folhas da árvore que a abrigava caíam. Algumas folhas partiam, levadas pelo vento ao caminho de distinto destino, outras iam direto para o chão, formando um tapete de folhas secas. Desperta ela via que na árvore outras folhas surgiam.

Então a menina crescia, sem saber se ela viveria o conto, ou se era tudo fantasia. Em sua mente ainda estavam as folhas do livro, em ideias permaneciam, mas a imagem das folhas mortas aos seus pés, de sua mente não saiam.

Com o tempo percebeu que ela não estava vivendo no conto de princesa, mas sim na história das folhas que caiam.

Ficou feliz pelo tempo ter passado e ter percebido ser folha só depois de adulta, pois como ter a consciência de ser folha na infância, sem um conto para encantar suas escolhas. Seguiu seu destino, desejando ser como as folhas, que ela percebia, eram levadas ao vento, para quem sabe, cair nos pés de uma pequena menina que lê um conto de princesa, no instante em que conta as folhas caídas de uma árvore a lhe sombrear, enquanto examina se é conto ou folha."]

(Antonio C Almeida)


Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons, no site Recanto das Letras



AMAR VOCÊ ME DÓI TODO DIA - WSR

["Dedicatória: Nem todo amor se constrói. Alguns… apenas consomem. A estes, este poema.


Te amar me dói todo dia,

É viver à beira da esperança,

Quando o amor já não guia,

Só resta a dor da lembrança.

Preso a nós desatados,

Entre continuar, ou fugir,

Será que ambos estão cansados,

Do ciclo que insiste em iludir?

Meu peito jaz como a vela,

Que apagou, só cera fria,

Que outrora iluminava a treva,

E agora se derrete em agonia.

Te amar virou meu castigo

Um hábito que me consome.

Como o vício em um veneno,

Que afaga e ao mesmo tempo some.

Quero me livrar das lágrimas,

Como alguém que vence o vício,

Você não sentirá a ausência,

Julgue-me — sempre foi fácil.

De mala pronta, como quem partia,

E descubro, no meu silêncio:

Não era eu quem você queria,

Mas é você quem eu quero.

Me indago com grande angústia:

“Sou só desejo… e nada mais?”

Por ti, mudei minha química,

Com o peito entregue à dor que traz.

Eu te contei cada injúria,

Seguida de uma lágrima importuna.

Mas quando encaro teu pranto,

Fraquejo, e de novo te aceito.

Rogo à minha mente que te mate,

Para que eu encontre paz, enfim.

Existe cura para tal desgaste?

Para as feridas dentro de mim?

Tua mente imatura se conforma,

Com tão pouco, já se acomoda.

Às vezes, até me dizes que me ama,

Mas isso não me faz sentir amado.

Já não sou mais quem te esperou,

Nem o que um dia sonhou.

Sou só os cacos de um homem,

Que teu silêncio moldou.

Te amar me dói todo dia…

Ferida em minha alma que esvazia

Toda esperança que lá havia,

Tornando impuro o sabor da vida.

Me abrasam cada vez mais

Cada faísca que você me traz,

Incendiando, com gesto mordaz,

A flora que em meu peito habita.

Hoje, do que fui, só cacos.

Do que sonhei, só cinzas.

Te amar me dói todo dia...

E amanhã, só restarão feridas."]


(WSR)



Texto copiado do site, conforme autorização do autor, sob código de texto: T8383886 - Licença Creative Commons


Sobre o Autor:

WSR tem 19 anos (2026).

É graduado em Psicologia. 

Com 28 textos já publicados no site Recanto das Letras, de onde eu escolhi esse poema acima para apresentar neste blog.

Link para o texto no site Recanto das Letras/poesia de wrs



DEPOIS QUE A PALAVRA FICA - WSR

["Não é na hora

que estraga.

É depois.

Quando o som passa

e algo decide ficar.


A gente pensa

que acabou ali.

Mas não acaba.

Só muda de lugar.


O tempo não quebra de uma vez.

Ele desgasta.

Volta, insiste,

repete sem pressa

até o inteiro virar resto.


Tem palavra

que não vai embora.

Encosta

e fica.

Fica no ouvido

como um golpe que não faz barulho

- mas faz.


E não dói só quando dizem.

Dói quando volta.

Sozinha.

Sem voz.

Sem ninguém por perto.


Tem palavra

que não chega.

Ela entra.

E quando entra,

não sai inteira.

Se espalha por dentro

e aprende o caminho

de onde machucar.


E a gente tenta entender.

Tenta relevar.

Tenta seguir.

Mas algumas coisas

não pedem permissão

pra permanecer.


Já pensou

como seria

silenciar tudo?

Mas não é morte

que chama.

É pausa.

E às vezes

a gente confunde

alívio com fim.


A culpa pesa.

Mas ainda aponta caminho.

Ainda deixa voltar.

O que quebra a gente

nem sempre é o erro.

É o que continua depois dele.


A gente tapa o ouvido.

Mas já não adianta.

Porque tem coisa

que não vem mais de fora.


Vem de dentro

com a voz de alguém

que um dia esteve perto.


E a gente tenta.

Controla, organiza,

segura firme.

Mas quanto mais segura,

mais escapa.


Deus…

a gente sabe onde errou.

E quer voltar.

Mas como se volta

de um lugar

que ainda chama pelo nome da gente?


Talvez isso ainda seja escrita.

Ou talvez

seja só o que sobra

em quem ficou

depois que a palavra ficou também."]


(WSR)


Texto copiado, conforme autorização do autor junto ao site, com código de texto: T8594809

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