Ela estava apressada. Andava ligeira entre ruas.
Tinha aula na faculdade. O ônibus logo passaria no ponto.
Final de tarde sossegada, morna.
Ao cruzar para o lado do ponto de ônibus viu dois drones sobrevoando à sua frente.
Não era tempo de ficar observando, tinha pressa.
Um deles sobrevoou bem rente. Quase se aproximando. Ela estava parada.
O drone chegou bem próximo dela e soou uma voz, perguntando: "Oi, podemos conversar?"
A essa pergunta, ela respondeu que não. Teria aula.
O drone revoou bem próximo à face, fez um movimento como se a beijasse de leve. E, novamente uma voz saiu dele: "Podemos tomar um café? Digo, completo!" (Em alusão de um encontro pessoal, drone+quem o manejava).
Ela sorriu ternamente, e disse não, de novo. Completou, que teria que estudar. A aula era uma matéria que ela precisava assistir. Teve notas baixas. Não poderia faltar dessa vez.
Olhou para longe, se via o ônibus chegar. Estava feliz, tranquila.
Aquele drone não a amedrontava. Era quase familiar.
Um flerte diferente.
A decisão estava tomada. Embora bem quisesse conversar mais. Conhecer o rapaz por trás do drone.
Milena Medeiros
11/05/2026
Incluído no site Recanto das Letras
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