sexta-feira

AMOR, ONDE TU ESTÁS? - Milena Medeiros



AMOR, ONDE TU ESTÁS?

Aqui?
Não!

Aqui?
Não!

Desperdício?
Supérfluo?
Insensato?

Quais seriam 
os derivados
desse sentimento 
chamado de "AMOR"?

Em meu baú procuro:
um carinho,
uma palavra,
uma ação,
um beijo,
um desejo.

Procuro 
e procuro.
Não acho.

Desembrulho, 
apalpo,
investigo, 
customizo.

Nada e nada de achar
o que me faz acreditar
que esse amor
exista em algum lugar.

Tenho receio
que ele já tenho ido se deitar,
que tenha desistido de aqui estar.
Que tenha sumido,
com vontade de chorar.

Ah, amor
Onde tu estás?
Debaixo daquela mesa?
Entre meus livros na prateleira?
Dentro de minha vida vazia?

Te procuro
no Youtube,
no Blogger,
no Orkut
e também no MSN.

A cada vez
uma alegria a menos,
uma ilusão a mais.

Entre 
minhas fotos.
Em cartas antigas.
Folhas dobradas
deixadas ao léu.
Em caixas de papel.

Também nas ruas,
parques
e cinemas.

Em caras,
bocas
e mãos.

Nada encontro, não!

Talvez esteja
em meu céu
sozinho a brilhar,
uma pequena
lua da Estrela Polar!

Fico noites e dias,
em meu baú
a vasculhar.
Remexo e remexo
certa de achar.

Os dias passam,
envelheço-me por fora.
Aqui dentro, moça adolescente
ainda sou.

Tenho os sonhos
da infância,
felicidade de fartar.

A esperança
da donzela
à janela sonhar.

Mas sei que faço
o coração acelerar,
só de pensar
esse AMOR não encontrar!

E, assim, continuo a lidar 
com a esperança, que teima 
em morrer todo dia um pouco, 
neste coração!

Mal sabe ela
que se isso acontecer,
eu morro junto, então!


Milena Medeiros
 21/05/2010


*Pequenos ajustes no texto.
11/06/2026

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