Mostrando postagens com marcador antonio c Almeida. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador antonio c Almeida. Mostrar todas as postagens

terça-feira

LIGEIRO AMOR - Antônio C Almeida

["O que me cabe?

Colher o que brotou no que plantei neste enlace.

O que me resta?

Separar o que foi bom do que não presta,

Para aproveitar o que resta em lembrança

Na fantasia do que sobrou de esperança.

Seja assim como for

Imagem deste ligeiro amor.

Se teve algo de dor

Que fique debaixo do tapete do desamor

Fora dos aconchegos da paixão que passou."]


Antonio C Almeida

Via Recanto das Letras


Nota:

Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, criar obras derivadas, fazer uso comercial da obra, desde que seja dado crédito ao autor original.

Imagem via Tumblr 


quinta-feira

A MENINA DAS FOLHAS - Antonio C Almeida

["Era uma vez uma menina. Que lia um conto, de uma vida de princesa, debaixo de uma árvore e sorria. Enquanto as páginas do livro eram viradas, folhas da árvore que a abrigava caíam. Algumas folhas partiam, levadas pelo vento ao caminho de distinto destino, outras iam direto para o chão, formando um tapete de folhas secas. Desperta ela via que na árvore outras folhas surgiam.

Então a menina crescia, sem saber se ela viveria o conto, ou se era tudo fantasia. Em sua mente ainda estavam as folhas do livro, em ideias permaneciam, mas a imagem das folhas mortas aos seus pés, de sua mente não saiam.

Com o tempo percebeu que ela não estava vivendo no conto de princesa, mas sim na história das folhas que caiam.

Ficou feliz pelo tempo ter passado e ter percebido ser folha só depois de adulta, pois como ter a consciência de ser folha na infância, sem um conto para encantar suas escolhas. Seguiu seu destino, desejando ser como as folhas, que ela percebia, eram levadas ao vento, para quem sabe, cair nos pés de uma pequena menina que lê um conto de princesa, no instante em que conta as folhas caídas de uma árvore a lhe sombrear, enquanto examina se é conto ou folha."]

(Antonio C Almeida)


Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons, no site Recanto das Letras



terça-feira

LÁ PELAS TANTAS HORAS - Antonio C Almeida

["Raquel se encontrava sentada em uma confortável cadeira em seu quarto. Vestida com seu agasalho de ginástica, que tinha adotado como a um pijama. Lia um livro – “Antes que o café esfrie” escrito pelo autor japonês Toshikazu Kawaguchi -, quando escutou um rangido, de porta se abrindo. Uma sensação de presença chamou-lhe a atenção, virou seu corpo para olhar o que lhe trazia aquela angústia - Raquel morava no terceiro andar de um prédio de apartamentos pequenos, em cada quarto tinha uma sacada com uma porta, que proporcionava um local para tomar um ar pela manhã, enquanto apreciava a vista da cidade.

        - O que faz aqui? Já te falei que não gosto que entre pela sacada – Falava Raquel visivelmente irritada.

     - Se não gosta que eu entre feche a porta pela manhã! – Respondia Rogério (um jovem de 15 anos, filho de uma amiga, vizinha).

     - Se a porta estiver fechada, colocaria você em risco de cair. – Raquel dava aulas de reforço em física para o rapaz. No tempo que tinha disponível, na sua atividade de professora.

     - Não entendi? – Respondeu-a.

     Raquel contou-lhe uma história:

“Em certo tempo, um casal, mantinha uma relação difícil, a mulher trabalhava duramente para manter sua moradia. O rapaz conseguia algum dinheiro trabalhando nas oportunidades que surgiam e era muito carinhoso com ela. A jovem sempre mantinha a porta aberta para ele entrar. Cansada de tudo isto resolveu retirar-se de casa e visitar a sua mãe e fechou a porta sem comunicar nada ao rapaz. Ao retornar para sua casa, Sandra, percebeu sua porta arrombada. Alguns artigos de valor furtados, sua confiança estraçalhada. Passou por uma séria depressão. Ao passar dos dias uma notícia correu pela cidade. Um jovem, na tentativa de roubo, fora baleado pela polícia, era seu antigo companheiro. Raquel lamentou e pensou – Deveria ter deixado a porta aberta, em claro sentimento de culpa"

      - Continuo não entendendo.

     - As pessoas chegam em suas próprias conclusões, diversas, sobre tudo. O ideal é sempre deixar uma pista para ajudar, guiar nas conclusões. Para evitar sofrimentos.

     Então, mesmo que não ache possível, você sabe que um dia a minha porta estará fechada.

     - Difícil de entender.- Respondeu o jovem.

     - A jovem ficou perturbada, por uma porta aberta que sempre deveria estar fechada. Para evitar a morte do amor em uma relação desejada. - Concluiu então Raquel. 

     Do lado de fora soprava uma brisa fria, que entrava pela porta aberta. Anunciando uma tempestade. Que talvez, somente talvez, invada o quarto das revelações descobertas. "]


(Antonio C Almeida)


Sobre o escritor: 

Antonio C Almeida é de Valparaíso de Goiás - Goiás - Brasil. Com 60 anos de idade. 

Está cadastrado no site Recanto das Letras e lá tem:

2.159 textos com 258.730 leituras

30 áudios com 4.377 audições

3 e-books com 1.781 leituras

E esse texto é um dos escolhi e está publicado no site, sob Código T8414327.