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domingo

VANIA VACHOLZ E ASOR VACHOLZ - Lançamento de livros

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Quando a semente 
sobrevoou os campos da poesia, 
observei somente...
Depois, 
alguns verões e outonos 
fizeram vingar uma bela flor.
Continuei a observar...
E, hoje, 
a madureza 
da natureza poética,
fez surgirem os primeiros frutos.
Agora, 
além de observar, 
quero saborear esses frutos!

Milena Medeiros
02/09/2012

Em especial à Vania Vacholz e à Asor Vacholz

O BICHO DA MEIA NOITE - Milena Medeiros

ERA NOITE. MUITO TARDE DA NOITE...
A CIDADE PEQUENA TINHA HORÁRIO PARA DORMIR. 

LÁ, AS DEZ DA NOITE, JÁ SE ÍA DEITAR-SE. PORQUE TODA A CIDADE FICAVA  ÀS ESCURAS, COM O APAGAR DAS LUZES, COM O DESLIGAR DA ELETRICIDADE. 

TUDO VIRAVA SILÊNCIO... 
NA MADRUGADA, SEM LUZ... 

MAS, BEBÊS E MÃES, NÃO PODEM FICAR A MERCÊ DESSE SALUTAR DEITAR E DORMIR.

BEBÊS TÊM FOME À NOITE E MAMÃES TEM QUE SUPRIR ESSAS NECESSIDADES.

FOI NUMA NOITE ASSIM, 
ESCURA E VAZIA 
QUE O NENÊ PEDIU O AMAMENTAR...

DONA GROJA, ESSE É SEU APELIDO DE INFÂNCIA, TATEOU NA ESCURIDÃO ATÉ LOCALIZAR SEU BEBÊ QUE CHORAVA AO BERÇO.

COM A CRIANÇA AO COLO, AINDA NO PLENO ESCURO, 
SE LOCALIZA NA COZINHA E, PERDIDA NA ESCURIDÃO, TENTA CONSEGUIR APANHAR A CAIXA DE FÓSFOROS. 

PROCURA E PROCURA. NADA ACHA...

COMO PRECISA DO FÓSFORO PARA ACENDER O FOGO E FAZER A MAMADEIRA DA CRIANÇA, 
NÃO SE INTIMIDA E ABRE A PORTA DA COZINHA 
E SAI LÁ FORA, 
NA NOITE VAZIA E ESCURA. 

TALVEZ O TEMOR, 
TALVEZ A AGRURA, 
TALVEZ O CANSAÇO, 
ELA SAI PELA BEIRADA DA CASA SOLTANDO UMA FRASE INOPORTUNA:

-- "SERÁ QUE O DEMONIO CARREGOU?".

ALI, PERTO DA CERCA, 
ÍA CHAMAR SUA IRMÃ, 
QUE MORA NA CASA AO LADO, PARA QUE ESTA LHE ARRANJASSE O FÓSFORO. 

NO ENTANTO, 
COMO UMA MÚSICA, 
AO LONGE,
ELA ESCUTOU AQUELE CONHECIDO SOM 
QUE SE FAZ AO TAMBORILAR NA CAIXA DE FÓSFORO, 
COMO OS SAMBISTAS, PAGODEIROS O FAZEM ATÉ HOJE.

ELA APRUMOU-SE TODA E COLOCOU-SE A OUVIR. 

O SOM FICOU MAIS NÍTIDO. PARECEU-LHE QUE VINHA DALI MESMO. 
PENSOU SER O ESPOSO A BRINCAR COM ELA. 
MAS NÃO O VIU.

A MÚSICA CONTINUAVA. 
E ELA REPAROU QUE VINHA DE CIMA DO TELHADO. 
ISSO A DEIXOU ARREPIADA DE MEDO, 
AO MESMO TEMPO QUE VIA 
A LUZ DA LUA FICAR MAIS FORTE. 
ILUMINAVA TUDO. 

E VIU NO CHÃO DE TERRA BATIDA UM VULTO QUE SE FORMAVA,
ANTE A LUMINOSIDADE 
DO RAIO DE LUAR.

O VULTO PARECIA CRESCER EM TAMANHO 
E, DE REPENTE, 
PULOU LÁ DO ALTO DO TELHADO À FRENTE DELA. 

PARECIA-LHE UM GORILA GRANDE, IMENSO. 

A MÚSICA CONTINUAVA A SER TOCADA NA CAIXA DE FÓSFORO. O SOM VINHA LÁ DO ALTO DO
TELHADO.

AQUELE BICHO EM MOVIMENTO LENTO E SILENCIOSO 
POSTOU AS GARRAS PARA A FRENTE 
E TENTOU TIRAR-LHE A CRIANÇA 
QUE ORA SE ANINHAVA DE ENCONTRO AO PEITO DA MÃE.

ELA, SE AFASTAVA ANTE ESSE MOVIMENTO. 
PARECIA-LHE TUDO MUITO LENTO. 
SUA COORDENAÇÃO MOTORA PARECIA NÃO CONDIZER COM QUE ELA QUERIA. 
ELA QUERIA CORRER PARA DENTRO DE CASA, 
SE ESCONDER, 
FUGIR DALI. 
MAS SEUS PÉS PARECIAM NÃO LHE ATENDER.

USANDO DE TODAS AS SUAS FORÇAS RESTANTES, 
EM MARCHA RÉ, 
FOI ADENTRANDO A COZINHA ATÉ QUE CONSEGUIU 
PUXAR O TRINCO DA PORTA 
E FECHÁ-LA COM UM ESFORÇO ENORME, 
QUE FEZ COM QUE A PORTA SE FECHASSE COM UM GRANDE ESTRONDO. 

AINDA TEVE QUE FICAR EMPURRANDO A PORTA CONTRA O BATENTE 
PORQUE VIA A GARRA DAQUELE BICHO ALI, PRESA. 

ELA A VIA TÃO NITIDAMENTE COMO SE O RAIO DE LUAR FIZESSE UM FOCO 
NAQUELE LUGAR 
MOSTRANDO-LHE A TERRÍVEL GARRA.

COM SUA CORAGEM, FEZ COM QUE A PORTA POR COMPLETO CERRASSE.

A LUZ SUMIU E A GARRA TAMBÉM.

O BARULHO DA CAIXA DE FÓSFORO TAMBÉM CEDEU.

A CRIANÇA DORMIU. 
E ELA, AINDA ATÔNITA 
SE DIRIGIU AO QUARTO 
ONDE O MARIDO LHE AGUARDAVA UM TANTO ASSUSTADO 
POR TER ESCUTADO O BARULHO DA PORTA A SE FECHAR.

ESTE LHE PERGUNTOU O QUE HOUVERA 
E ELA SIMPLESMENTE DISSE:

- NADA, DORME!

DAQUELE DIA EM DIANTE ELA NÃO MAIS TEVE CORAGEM DE EXPRESSAR ALGO 
COMO AQUELA FRASE 
QUE DISSE NAQUELA NOITE
NEM CITAR MAIS ESSE NOME QUE AGORA TANTO TEME EM DIZER.

BASTOU-LHE UMA NOITE ESCURA E VAZIA 
PARA SABER O PREÇO DO SILÊNCIO!


Milena Medeiros
(Histórias de minha mãe e eu - 09/10/2011 - 02:26h)



Publicado no site Recanto das Letras - por Milena Medeiros,
em 09/10/2011
Código do texto: T3265913



segunda-feira

AMOR VIRTUAL - Balderrama






["Um jovem senhor, viúvo já há alguns anos, vendo o seu único filho de oito anos teclando com um colega virtual pela Internet e movido pela sua solidão sentou-se em frente ao computador, depois que seu filho foi dormir, entrando em um site à procura de alguém para conversar e, nestas coincidências da vida, do outro lado havia uma jovem senhora com a mesma intenção.
Foi amor ao primeiro contato, talvez devido à carência que ambos estavam sentindo e tornaram-se cúmplices um do outro sem nem sequer terem idéia de como eram fisicamente. Depois de muitos meses, numa de suas viagens a negócios quando ele iria passar próximo a cidade onde morava a jovem senhora, insistiu para conhecê-la. Ela demonstrou medo, pois estavam tão ligados que não queria que nada colocasse em risco aquilo que estavam vivendo devido seu receio de não atender a expectativa do homem por quem estava apaixonada. Depois de muita insistência, lá foi ele com uma dúzia de rosas e a caixa do chocolate que ela mais gostava e que o havia confidenciado no primeiro contato. Ao tocar a campainha, atendeu uma garotinha de aproximadamente 10 anos, pedindo-lhe que entrasse e aguardasse sua mãe na sala.
Ela entrou de cadeiras de rodas, acanhada, e ao vê-lo deixou cair a primeira lágrima, pois se encantou com o homem e ao mesmo tempo veio a sensação de que não haveria um segundo encontro, mas a resposta dele fez toda a diferença:

- Perdoe-me o egoísmo, mas ao vê-la nesta cadeira, me veio a certeza de que nunca conseguirás fugir de mim e isto é tudo o que eu mais quero.

Ele não poderia ter escolhido melhor frase para acalmar o coração da jovem senhora que vivia naquele momento um conto de fadas, sem perceber que para ele era ela a princesa da história."]



Balderrama é paulista de Penápolis
Veja este e outros textos do autor, no link BALDERRAMA


Nota de atualização (22/03/2026): 

Balderrama alterou o título desse conto para "Encontro Virtual" e republicou no site. 

Link atual: 

sábado

A HISTÓRIA DE UM RAPAZ QUE SAIU DO BANHO - Milena Medeiros

Ontem estava me recordando de uma coisa...

Que eu adoro o cheirinho de banho e sabonete.

Adoro sentir uma pessoa sair do banho e todo aquele cheiro de sabonete no ar.

Não precisa ser um sabonete de luxo, qualquer um, mesmo, pode ser!

Gosto muito mais desse cheirinho do que de perfume.

O perfume esconde ou transforma o cheiro natural de uma pessoa, mas não mostra que ela tomou um bom banho.

conto uma história sobre banho que aconteceu comigo:


["A HISTÓRIA DE UM RAPAZ QUE SAIU DO BANHO

LÁ PELOS MEUS 18 ANOS, ESTAVA EU E UMA AMIGA NA CASA DE FAMILIARES DELA.

UMA VISITA QUE HÁ MUITO ESTAVA PLANEJADA.

CONVERSÁVAMOS COM UM RAPAZ, SEU PRIMO, EM SEU QUARTO.

NA COZINHA ESTAVAM A MÃE DELES EM UMA PROSA BEM ACALORADA DE LEMBRANÇAS MIL.

NÓS TRÊS ALI NO QUARTO, SENTADAS A BEIRA DA CAMA DELE, FALÁVAMOS DE ASSOMBRAÇÕES.

ELE CONTAVA QUE AQUELA CASA TINHA UMA MULHER QUE OS ASSOMBRAVA NAS NOITES, POR ISSO MANTINHA A IMAGEM DA SANTA NOSSA SENHORA APARECIDA EM SEU QUARTO, PARA QUE ELA ILUMINASSE O AMBIENTE E O PROTEGESSE.

ESSA ASSOMBRAÇÃO JÁ ACOMPANHAVA A FAMÍLIA HÁ MUITO TEMPO.

COMENTOU QUE O IRMÃO DELE, ARZIRINHO (EITA NOME ESTRANHO!) NÃO TEMIA.

NÓS DUAS, JÁ TÍNHAMOS OUVIDO FALAR DESSE RAPAZ- O ARZIRINHO… E QUERÍAMOS MUITO SABER COMO ELE ERA, JÁ QUE O NOME ERA TÃO ANTIGO. QUERÍAMOS VER SE ELE CONDIZIA COM O NOME. MAS O TAL ESTAVA NO BANHO E SE DEMORAVA…

DEPOIS DE ALGUM TEMPO, A PORTA DO BANHEIRO SE ABRIU ABRUPTAMENTE, NÓS DUAS ESCUTAMOS O BARULHO DELA SE ABRINDO E NOS ENTRE OLHAMOS. ALÍ, NAQUELE NOSSO OLHAR TINHA MUITO DIÁLOGO. AMBAS ESTÁVAMOS DOIDINHAS PARA VER O TAL ARZIRINHO QUE ACABAVA DE TOMAR O BANHO E IRIA APARECER LOGO LOGO.

DE REPENTE, O CHEIRO DO SABONETE MISTURADO COM LOÇÃO PÓS BARBA ADENTROU TODO O AMBIENTE.

NOSSA, QUE CHEIRO DELICIOSO. AUMENTOU AINDA MAIS NOSSAS EXPECTATIVAS…

E ENTÃO, A APARIÇÃO!

LÁ SURGE O ARZIRINHO

NOSSA!

QUE LINDO!

DENTRO DE UM ROUPÃO COM LISTRAS LARGAS VERTICAIS VERMELHAS E BRANCAS. MÃOS NO BOLSO. SORRISO SIMPLES E ACANHADO.

UM LINDO HOMEM.

TEZ BRANCA. CABELOS NEGROS E LISOS, PENTEADOS PARA TRAS.

BOCA LINDA E SENSUAL.

ALTO E MAGRO NA MEDIDA CERTA.

PÉS COM CHINELOS DE PANO.

A IMAGEM, SE NÃO FOSSE ELE TÃO LINDO, EM OUTRO PARECERIA ENGRAÇADA.

MAS AQUELE NÃO. O CHEIRO DO BANHO COM SABONETE E O AROMA DA LOÇÃO PÓS BARBA, FEZ COMO SE FOSSE UM HALO À SUA VOLTA, TORNANDO-O INEBRIANTE PARA NÓS DUAS.

NÃO CONSEGUÍAMOS NADA DIZER. ACHO QUE ESTÁVAMOS DE BOCA ABERTA, OLHOS ESBUGALHADOS NELE.

DISSE-NOS UM OI BEM GOSTOSO. (SE NÃO FOI GOSTOSO, NAQUELE MOMENTO PARECEU-NOS SER TUDO DE BOM!)

SORRIMOS. ERA SÓ O QUE CONSEGUÍAMOS FAZER.

- COMO UM BOM BANHO FAZ UMA GRANDE DIFERENÇA AGORA PARA MIM!

NÃO GOSTO MAIS DE PERFUMES NOS HOMENS, EMBORA SEMPRE OS COMENTE POR DELICADEZA, SOMENTE.

A PESSOA QUE USA PERFUME QUER QUE NÓS FAÇAMOS UM COMENTÁRIO BOM. TIPO ASSIM: “ NOSSA COMO ESTÁ CHEIROSO(A)!”

AGORA GOSTO DE VÊ-LOS SAINDO DO BANHO, CHEIRANDO A SABONETE, SIMPLESMENTE.

TALVEZ NÃO SEJAM UM ARZIRINHO NA VIDA, MAS AQUELE MOÇO FEZ TODA A DIFERENÇA PARA TODOS OS DEMAIS.

PARA MIM NÃO ADIANTA SOMENTE SABER QUE UM HOMEM CHEIRA BEM, CHEIRA A UM BOM PERFUME.

QUERO SÓ O CHEIRO DO BANHO COM SABONETE!

POR FAVOR, HOMENS QUE PASSARÃO, TALVEZ, EM MINHA VIDA, NAMORADOS, MARIDOS, FICANTES…TOMEM UM BOM BANHO ANTES, DURANTE E DEPOIS DE ESTAREM COMIGO.

SABERÃO QUE ESTÃO SENDO MUITO ADMIRADOS, ENTÃO!

Milena Medeiros
05/12/09