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domingo

ORELHA, O CÃO!

ORELHA era um cão que acreditava nos "seus" humanos. 

Pra ele, todos eram bons como aqueles que lhe davam carinho, alimento, água. 

Era fácil interagir com todos. Era um paraíso viver assim, todo cuidado e amado.

Se não fosse isso, ele não teria se juntado à esses seres impiedosos que o estraçalharam até a alma. 

Acreditava que mais uma noite e madrugada estava sendo bem cuidado. 

Não imaginava que poderiam lhe fazer mal. 

E aconteceu! Não tiraram sua vida de imediato. Fizeram-no sofrer. 

Nem imagino a tamanha dor que sentiu. E quando seus olhinhos buscavam aqueles algozes como a perguntar: " O que houve? O que eu fiz? Porque estão me causando tamanho sofrimento? E eu os amo. Nunca os feri! 

Mas esses seres desumanos não sabiam ler o amor no Orelha. Não quiseram entender. E depois de tanta atrocidade o deixaram ainda a viver. 

ORELHA  se escondeu pra morrer sozinho, abandonado, não sabia gritar pedindo socorro aos outros seres humanos que tanto o ajudaram. Não tinha forças. Só uma vontade de se esconder pensando em aliviar o seu sofrimento. 

Foi isso que o fez ficar embaixo do carro estacionado. 

Os bichos se escondem pra morrerem. Pois tem medo de mais sofrimento se ficarem expostos. Por isso, quando acharem um animal escondido, machucado, ferido à beira da morte, saibam que só está com medo de sofrer mais. Não que deseje morrer. 

Salvem!


Milena Medeiros

Online 16:39h

08 fevereiro 2026


Link para a postagem no site Recanto das Letras

Os cães Orelha e Pretinha brincando na praia



AMOR E MORTE - Milena Medeiros

¹ Somente o doce pecado nos mata! 



² Quantas vezes nós não matamos aqueles que amamos, somente por amar?

Amar egoisticamente, desprezando os momentos mais importantes vividos. 

Matamos sem armas, sem violência física ou mental. 

Matamos em nosso coração!

Milena Medeiros 
15/05/2011


quarta-feira

TAREFA DO MÊS - Milena Medeiros


AI... JÁ FIZ A TAREFA DO MÊS, QUEM SABE DO ANO!

DEDIQUEI-ME ÀS PESSOAS. EM GERAL, NADA ASSIM TÃO PARTICULAR. EMBORA EU TENHA TIDO UMA MAIS IMPORTANTE QUE AS OUTRAS. ESSA QUE MEU AMIGO FICOU "DODÓI" .

NÃO É RARO DE ACONTECER CONOSCO. 

LÁ, UM BELO DIA VEM A DOENÇA. 

SEM AVISO. COISA DE VENTO, DE TEMPESTADE, MESMO.

ALGUNS VENTOS NOS LEVAM PESSOAS E OUTROS NOS TRAZEM.

TEM UNS QUE SÃO ATÉ BONZINHOS,LEVAM OS QUE ESTÃO MUITO "RUINZINHOS", QUE DÁ MUITA DÓ. MAS TEM UNS BEM MALVADOS QUE NOS DEIXAM SÓ. 
LEVAM OS QUE AMAMOS, ASSIM, SEM DÓ.

LEMBRO-ME DE VENTOS ASSIM, EM CRIANÇA. 

EU NÃO QUERIA QUE ELES VIESSEM. 

PEDI TANTO AOS DEUSES! 

ACHO QUE TINHA UM MONTE DELES, NEM ME RECORDO MAIS. MAS TINHA O DEUS DO TROVÃO, ONDE MINHA MÃE NOS COLOCAVA EMBAIXO DE UM EDREDOM QUE ELA MESMO FAZIA, JUNTANDO VÁRIOS COBERTORES QUE NÃO ESTAVAM TÃO BONS, FAZIA UMA CAPA COM AQUELE PANO, CHITÃO, COM FLORES IMENSAS E BEM COLORIDAS. E A GENTE SUAVA ALI EMBAIXO. 
TUDO ISSO PRA NÃO ESCUTAR O BENDITO (OU MALDITO?) DAQUELE BARULHÃO. BEM GRANDE ESSE BARULHO, ACHO QUE PERTO DO MAR É ASSIM MESMO. POUCAS CASAS E MAIS NUVENS E ÁRVORES E UM CÉUZÃO DE PERDER DE VISTA LÁ NO MAR ADENTRO. PARECIA QUE TUDO ESTAVA SE ACABANDO. MAMÃE SEMPRE NOS DIZIA: "É SÃO PEDRO ARRUMANDO A CASA"...
COMO SE ISSO NOS FIZESSE MAIS CALMOS! 
ORA JÁ SE VIU, FAZER TAMANHA ALGAZARRA EM EMPURRAR MÓVEIS DAQUI PRA LÁ O TEMPO TODO? ISSO PRA NÓS ERA MUITO RUIM. DAVA MEDO DE MONTÃO.

BEM, EU ESTAVA FALANDO DE PESSOAS INDO EMBORA. DEIXA EU CONTINUAR...

É... ÀS VEZES ELAS SE VÃO SEM A GENTE QUERER OU ESPERAR, NEM DÁ PRA DAR UM TCHAU,  UM ABRAÇO OU UM ATÉ MAIS. 
SAI DE NOSSAS VIDAS DE UMA HORA PRA OUTRA. 

COMO MEU AVÔ, ESTE BEBIA DEMAIS! ATÉ UM DIA INCENDIOU A CASA TODA, QUASE QUE TEVE GALINHAS ASSADAS PRO JANTAR. É QUE ELAS DORMIAM NA PARTE DEBAIXO DA CASA, DAQUELAS TIPO PALAFITAS, ONDE O RIO QUANDO CRESCE, JOGA SUAS ÁGUAS POR ALI.

BEM, AÍ MINHA AVÓ E MAMÃE FICARAM SEM NADA. COMEÇANDO DO ZERO, MAS ZERO ERA MUITO. ELAS TINHAM BEM POUCO MESMO. 

ASSIM É MELHOR, NÉ?
QUANDO TEMOS MUITO E PERDEMOS TUDO, ESSE TUDO É MUITÃO MESMO! 
QUANDO NADA TEMOS E PERDEMOS TUDO, É A MESMA COISA. POUCA DIFERENÇA SE FAZ!

BEM, CONTINUANDO...

MINHA AVÓ QUE ERA MINHA BISAVÓ, MORREU NOS AVISANDO. 

LEVOU DIAS PARA ACONTECER. E UM DIA, NÃO!... UMA NOITE...ISSO, FOI NUMA NOITE, ELA PEDIU PARA ARRANJAREM UM PADRE QUE ELA QUERIA A TAL DE EXTREMA-UNÇÃO. 

USAVA-SE MUITO ISSO NAQUELA DÉCADA. E ELA TODA HORA PERGUNTAVA SE JÁ ERAM MEIO DIA. ISSO A NOITE E A MADRUGADA TODA ATÉ PELA MANHÃ. 

O PADRE VEIO E ELA SE BENZEU. 

FEZ A CONFISSÃO.QUE ACREDITO NEM TER O QUE CONFESSAR, ELA ERA MUITO BOA. DEUS ATÉ PODERIA TÊ-LA FEITO ANJO.. OLHOS BEM AZUIS JÁ POSSUÍA. SÓ QUE ELE TERIA QUE ENDIREITÁ-LA. TODA TORTINHA, ENCURVADA COM UMA CORCUNDINHA QUE EU ACHAVA LINDA. VÊ SE PODE, ACHAR CORCUNDA BONITA. MAS, COMO EU A CONHECI ASSIM, ELA ERA-ME LINDA DEMAIS.

BEM, CHEGANDO O MEIO-DIA ELA MORREU. COMO TINHA PREVISTO EU ACHO. PORQUE ELA FICOU PERGUNTANDO ISSO O TEMPO TODO!

AGORA, COM MEU PAI JÁ FOI DIFERENTE. ELE NEM SABIA QUE IRIA MORRER. EU JÁ VIA ISSO, NOTAVA QUE SERIA UM DIA. E ESSE DIA SE APROXIMAVA COMO UMA TEMPESTADE. 
A GENTE VÊ LÁ LONGE E PENSA QUE DARÁ TEMPO DE CONTINUAR O CAMINHO E ELA NOS PEGA ALI, DESPREVENIDO DA VIDA.
 
MEU PAI, FEZ UM CONSERTO NA VÁLVULA MITRAL. LEVOU MAIS DE UM MÊS PARA CONSEGUIR SUPORTAR A CIRURGIA E O CATETERISMO. E DEPOIS DE TUDO ARRUMADINHO ELE RESOLVEU IR-SE. FOI PARA O OUTRO LADO DA VIDA. DEIXOU-NOS NUMA BELA MANHÃ DE SOL. 

LEMBRO-ME BEM, EU ESTAVA AINDA SONHANDO QUE ESTAVA DORMINDO E O TELEFONE TOCA E O MEU IRMÃO ME DIZENDO: "ACORDA, VEM PARA CÁ, PAPAI MORREU!". ASSIM, DE REPENTE, SEM EU ACORDAR DIREITO!! PODIA ATÉ ACHAR QUE ERA PESADELO. DESSES BEM BOBOS, ONDE OS  PAIS MORREM E DEPOIS VIVEM DE NOVO. MAS MEU PAI NÃO VIVEU DE NOVO. ELE TINHA QUASE "MORRIDO"  TANTAS VEZES... E AGORA, BRINCOU DE NÃO VOLTAR!

FOI TRISTE ESSE DIA. 

EU ALI, PARADA, SEM SABER O QUE DIZER. SEM CHORAR DEMAIS. SÓ UM POUQUINHO...

VI O ENTERRO E MEU IRMÃO CAÇULA COLOCANDO ENTRE AS MÃOS DELE UM METRO DE CARPINTEIRO. AQUELE INSTRUMENTO DE MEDIR COISAS, FEITO DE MADEIRA. 

(MEU PAI ERA CARPINTEIRO NAVAL.)

UM SIMPLES GESTO. 

SILÊNCIO TOTAL. 

SEM PRECES, SEM GRITOS, SEM CHOROS. SOMENTE UNS FUNGARES DE NARIZES. 

SERIA RESPEITO? OU NÓS NEM TÍNHAMOS FORÇA PARA ISSO?

ATÉ HOJE NÃO SEI DIZER.

FIQUEI APREENSIVA TAMBÉM, QUANDO MEU AMIGO DA INTERNET SE MOSTROU BEM DOENTE. FIQUEI MUITO TRISTE. DE FAZER DÓ A MIM MESMA. QUE EU CHORAVA DE MIM, DELE, DA FAMÍLIA DELE E DE TUDO O QUE ELE TINHA AO REDOR. ERA UM CHORO MÚLTIPLO. 

SABIAM QUE EXISTE ISSO? POIS É, EXISTE SIM! ESSE MEU AMIGO, NEM ERA AMIGO ASSIM, MAS DEPOIS QUE FICOU MUITO DOENTE, EU FIQUEI COMO SE COLADA A ELE. 

SENTIA OS SEUS TEMORES, VIVIA DE SUA DOR, LEMBRAVA SEUS PENSAMENTOS. CHORAVA SUAS DESVENTURAS. TUDO ASSIM. EM FILEIRA COMO SE FOSSEM ROUPAS PENDURADAS NO VARAL.
 
E AÍ, UM BELO DIA (BELO DIA?, PÉRA AÍ, NEM ERA BELO ASSIM, É MODO DE DIZER!) ELE FOI PARA O HOSPITAL. 

SENTI-ME DEMASIADAMENTE INSEGURA. 

TODOS QUERIAM SEGURAR EM MINHAS MÃOS. MAS EU NÃO TINHA MÃOS. ELAS ESTAVAM EMPRESTADAS À ESSE MEU AMIGO. 

ELE QUERIA TANTO UMA MÃOZINHA PRA SEGURÁ-LO, QUE EU DEI AS DUAS DE UMA VEZ.

SEM PENSAR QUE EU TAMBÉM PODERIA PRECISAR DE UMA DELAS PRA ME SEGURAR TAMBÉM.
 
AGORA ELE ESTÁ BEM. TEM MUITAS MÃOS LÁ PRA  O SEGURAREM. 

QUEM SABE AGORA ELE DEVOLVE AS MINHAS? 

ESTOU ESPERANDO! MAS, MESMO SEM MINHAS MÃOS EU SEI QUE ESTOU NOS BRAÇOS DE DEUS. E CONTINUAREI A CAMINHAR PELAS TEMPESTADES DA VIDA.

ÀS VEZES A GENTE PRECISA DE UMA PERTO DA GENTE PRA SABERMOS QUE AMPARAR É TÃO BOM QUANTO SER AMPARADA. 

QUEM SABE UM DIA EU CHEGUE EM CASA!

Milena Medeiros
18/08/10 - 02:09h

Leia essa e outras no site Recanto das Letras 

domingo

A MORTE - Jennifer S Lima

¹["A MORTE

Ela vaga pelas ruas,
à procura de almas 
abandonadas,
quebradas, deixadas.

Geralmente é requisitada:
suicidas, assassinos, guerras.

Não é de verdade culpada.
Afinal, 
não faz o trabalho sozinha.

Na realidade só limpa, 
recolhe, salva,
uma alma assassinada, 
pela idade,
pela amada.
Por doenças, por acidentes, 
por meros
erros.

Pela dor ou pela angústia 
de uma
vida arregaçada.

A Morte não é má.
Não gosta de ver o sofrimento,
seja dos familiares, 
do morto.

Se enche de culpa, 
cada vez que trabalha.

E, embora seja
necessária e saiba disso,
deseja do fundo do peito
não ser isso, não ser Morte."]

(Jennifer S Lima)
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Jennifer escreveu o seguinte, ao enviar-me o texto acima para divulgação:

"Oi Minha vó falou que vc iria gostar dele por isso estou mandando, se gostar pode pôr em todos os lugares que conseguir. Eu ia colocá-lo naquele site: Recanto das Letras, né? Mas não consegui me cadastrar. É sobre a Morte, eu estava lendo um livro, não sei se você conhece, "A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS" e eu tinha acabado de terminar de ler, quando a professora mandou fazermos 3 poesias com o mesmo tema, como tava fresquinho na cabeça sairam todos sobre morte. Esse é sobre a Morte personagem, a mesma que narrava o livro."
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Resposta : 

É isso aí, Jennifer. 
Você tem o dom. Continue!
Sempre que quiser compartilhar mais poesias e outros textos teus ficarei contente em divulgá-los em meus blogs, Orkut e Youtube. -

Milena Medeiros

18/07/2010

Nota:

¹Correções de pontuação no texto
em 16/05/2026.


NOSTALGIA - Milena Medeiros

A noite chega,
a mansidão da tarde já se vai.
Assim, também
vou eu
em caminhos escuros,
ruas desertas,
chuva que faz estrelas brilharem
ao chão.

Sigo,
deserta de mim.
Nostálgica, talvez.
Triste,
cabisbaixa.

Há muros ao redor.
Espinhos
na relva molhada.

Minha pele
se corta.
Leves traços
demarcam o espaço
entre o sangue
e a água.

Também,
em meu coração,
pedaços desprezados
delimitam
os sonhos
da dura realidade.

Cai, ainda,
a chuva.
Intrigante sonoridade
que se espalha 
ao ar.

A gélida penumbra
deixa marcas
em mim.
Ainda há a madrugada
a espreita
da hora morta.

A morte,
enfim!


Milena Medeiros