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sábado

O AMOR EM PAPEL DE PÃO - Milena Medeiros

Foi assim...

O tempo passou,
Você e eu
a vida desencontrou.

Fui
a sua primeira amiga, pra valer.
E, de cara, 
de repente,
sem querer,
fui a primeira que te amei.

Indiferença,
astúcia da vida,
interpretar como "não" 
um simples coração desenhado 
num papel de pão.

Era uma chave
que abria o meu
de forma singela,
sem medo,
pura e meiga.

Com pedaço de carvão,
da madeira ao chão,
fiz o emblema
que estava estampado
em meu coração.

Envergonhada,
tímida até,
te entreguei em mãos
e baixei os olhos
com medo de um "não!"

O vento, esse danado,
talvez por ciúme,
com destreza
a folha levou.

Eu, quieta, continuei.
Por ti passei
e você não me deteve.

O mundo mudou.
A chuva chegou
molhou os canteiros em flor.
O outono o fez amadurecer.
Dos frutos da nossa árvore do saber.

O inverno amarelou
as folhas caídas ao léu...

Esperei o verão, que 
em vão se foi,
aquecendo 
outros campos em flor.

Na próxima primavera,
quem sabe, 
coragem, malícia, eu ter 
e a ti esclarecer,
que de tudo o que guardei,
aquele pequeno pedaço 
de papel de pão,
amassado e envelhecido,
é a melhor recordação de ti, então.

E, dizer, 
que nesse tempo todo,
só a ti amei!

Milena Medeiros
15/05/2010

Borboleta
Via Tumblr 




Nota:
Corrigido algumas pontuações e grafias (01/02/2026)

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Recanto das Letras




sexta-feira

Poesia de milena medeiros -A TINTA E O PAPEL


EM UM PEDAÇO DE PAPEL
ESCREVI TEU NOME
COM TINTA PRETA
EM LETRAS 
CARINHOSAMENTE
DELINEADAS.

POUSADA NA ESCRIVANINHA
COM O TEMPO AMARELOU
E O VENTO GENTILMENTE
DA MESA A ARRANCOU.

A TINTA
COM CIÚMES DO VENTO
AO LEVAR A FOLHA DE PAPEL
O TEU NOME GRITOU 
NO SILÊNCIO DA TARDE:
-LEVA-ME TAMBÉM!

E O VENTO
CUIDADOSO
NÃO QUERENDO SEPARAR-TE
DO SER TÃO AMADO
QUE NO TEMPO FICOU
SORRATEIRAMENTE
COM PLUMAS DE BRISA
TE LEVOU A ROLAR
BEIRA ABAIXO
CAINDO SOBRE O PAPEL
COBRINDO O TEU NOME
COM O JORRO DE TINTA
QUE RESPINGOU.

E ASSIM
ELE: O TUBO DE TINTA
E ELA: A FOLHA DE PAPEL
NUNCA MAIS SOZINHOS FICARAM
UM FEZ COMPANHIA AO OUTRO
ATÉ QUE O TEMPO SE ENCARREGOU
DE LEVÁ-LOS AO MUNDO
DO FAZ DE CONTA
ONDE ATÉ HOJE JUNTINHOS SE COMPLETAM.

UM GRANDE AMOR QUE FICOU.

DOS ENSINAMENTOS DELES
EM MIM RESTOU
A ESPERANÇA DE TER SEMPRE 
O AMOR 
DENTRO DE MEU CORAÇÃO!

Milena Medeiros- -09/02/09-15:49h
editado em 22/05/10