Foi assim...
O tempo passou,
Você e eu
a vida desencontrou.
Fui
a sua primeira amiga, pra valer.
E, de cara,
de repente,
sem querer,
fui a primeira que te amei.
Indiferença,
astúcia da vida,
interpretar como "não"
um simples coração desenhado
num papel de pão.
Era uma chave
que abria o meu
de forma singela,
sem medo,
pura e meiga.
Com pedaço de carvão,
da madeira ao chão,
fiz o emblema
que estava estampado
em meu coração.
Envergonhada,
tímida até,
te entreguei em mãos
e baixei os olhos
com medo de um "não!"
O vento, esse danado,
talvez por ciúme,
com destreza
a folha levou.
Eu, quieta, continuei.
Por ti passei
e você não me deteve.
O mundo mudou.
A chuva chegou
e molhou os canteiros em flor.
O outono o fez amadurecer.
Dos frutos da nossa árvore do saber.
O inverno amarelou
as folhas caídas ao léu...
Esperei o verão, que
em vão se foi,
aquecendo
outros campos em flor.
Na próxima primavera,
quem sabe,
coragem, malícia, eu ter
e a ti esclarecer,
que de tudo o que guardei,
aquele pequeno pedaço
de papel de pão,
amassado e envelhecido,
é a melhor recordação de ti, então.
E, dizer,
que nesse tempo todo,
só a ti amei!
Milena Medeiros
15/05/2010
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Nota:
Corrigido algumas pontuações e grafias (01/02/2026)

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