Que tem a bola
Sua verdadeira amizade,
Quando só,
Espera o amiguinho
Pra brincar.
Paciente menininho,
Que vem da escola
e logo busca
Um parceiro
Pra jogar.
Não perde o foco,
chama e chama
o vizinho.
Pergunta várias vezes
Se vem logo.
Não se apressa,
A pressa só
Tem hora de chegar.
Sentado,
Enquanto não tem ninguém,
Parece uma estátua.
Tão bela, ao sol.
Um anjo aloirado!
Olhar atento
a visualizar
Se o amiguinho
Vem jogar.
Esse miudinho
Me traz uma coisa boa:
De não desistir de nada!
Ser inocente,
Enquanto o sonho
Não vem.
A realidade dele
é pequena pra mim,
Que da janela o observo
Nesse seu vai e vem.
Quer saber, de tempo em tempo,
Se o vizinho irá descer.
Mesmo que essa pergunta
Já tenha sido
Respondida outras vezes.
Não se detém...
Parece um brinquedo
Que sempre faz
O mesmo som:
- Oh Ney!!! Você vai descer?
Milena Medeiros
13/abril/2026
20:20h
(Para você, miudinho vizinho da foto)
Leia esse texto no site Recanto das Letras
| (Imagem criada por AI Nano Banana derivada da foto por AMD) Exponho um comentário que foi publicado para o texto, no site Recanto das Letras, por WSR, que provoca reflexões. Este é o comentário: ["WSR Milena… esse poema tem uma delicadeza que vai chegando quietinha. A cena é simples, mas você olha com um cuidado que transforma tudo. Esse menino esperando… chamando de novo, mesmo já tendo ouvido a resposta… isso toca. Porque ali não tem orgulho, não tem cálculo — tem só vontade. E esse detalhe da repetição… “Oh Ney!!! Você vai descer?” — isso é muito real. Dá até pra ouvir a voz dele, meio insistente, meio esperançosa. Gostei muito de quando você entra na cena, observando da janela. Não fica distante, você se envolve… e o menino deixa de ser só ele, vira quase um lembrete pra quem tá olhando. Essa parte da inocência que insiste enquanto o sonho não vem… ficou bonita. Porque não romantiza demais, apenas expõe. No fim, fica uma sensação meio doce… e um pouquinho de saudade também. Como se a gente tivesse perdido um pouco dessa simplicidade no caminho."] Maio/2026 |